quarta-feira, 1 de junho de 2016

Bruno Parrinha / Luís Lopes / Ricardo Jacinto “Garden”

Sexta, 3 Junho, 20:45

Sótão
Bruno Parrinha – saxofone alto e clarinete
Luís Lopes – guitarra
Ricardo Jacinto – violoncelo e eletrónica

De nascimento recente, mas já com rodagem pelos palcos, um trio que tem como premissa de trabalho a prática de uma improvisação entre o idiomático e o não-idiomático, reconciliando os fraseados-tipo do jazz e o concretismo textural do experimentalismo e de alguma música contemporânea. Sempre em resposta à multiplicidade formativa e de vivências dos três músicos, cujas atividades se têm repartido pelo free jazz, a música livremente improvisada, o rock e até a pop. Se nesse particular Bruno Parrinha (IKB Ensemble, Variable Geometry Orchestra), Luís Lopes (Humanization 4tet, Lisbon-Berlin Trio, Noise Solo) e Ricardo Jacinto (Parque, Pinkdraft, Love That Lava) encontraram afinidades entre si, a estratégia do projeto está na articulação de discursos contrastantes. E no entanto, outro factor que define a música tocada é o seu foco, mediante a exaustiva exploração de um número restrito de materiais sonoros para deles obter o máximo efeito.



Pedro Lopes

Sexta, 3 Junho, 20:00 

Sótão
Pedro Lopes – percussão em gira-discos, címbalos e agulhas modificadas.

Pedro Lopes evoluiu de uma eletrónica improvisada que combinava as tecnologias digital e analógica para uma invulgar abordagem da… percussão. E invulgar porque o seu instrumento é um gira‑discos. As agulhas não servem para disparar música gravada em vinil, mas para amplificar micro-elementos sonoros por meio de baquetas, escovas, têxteis, pequenos metais, címbalos, gongos e taças. Membro do duo Eitr (com Pedro Sousa) e do colectivo Lisbon Freedom Unit que emparceirou já com Carlos “Zíngaro”, Reinhold Friedl e DJ Sniff reivindica um posicionamento “pós‑scratch” para se distanciar do comum DJing, inclusive o experimental, mas também uma atitude “pós-jazz”. Talvez porque, frente à minúcia com que desmembra e congrega sons,
a linguagem musical que adota por princípio, o jazz, não permanece tal como a conhecemos.

Foto © Ricardo Jota


Gabriel Ferrandini / Pedro Sousa / Hernâni Faustino

Quinta, 2 Junho, 23:00

Sótão
Gabriel Ferrandini – bateria
Pedro Sousa – saxofones
Hernâni Faustino – contrabaixo


Convidado a fazer uma residência artística na Galeria ZDB, em Lisboa, onde pudesse desenvolver um projeto que cruzasse as estratégias da improvisação livre com a composição jazz, Gabriel Ferrandini convidou Pedro Sousa, amigo de infância com quem partilhou muitas experiências musicais – tendo a mais recente sido a apropriação de uma partitura de Tony Williams, “Love Song”, para explorar longamente cada um dos seus aspetos –, e Hernâni Faustino, seu parceiro no Red Trio e no Wire Quartet, a com ele darem forma ao trabalho realizado. São aspetos dessa investigação continuada a que vamos assistir, trazendo à improvisação os “circuitos” mais fechados que são próprios do universo da escrita. Tendo como coordenadas a liberdade e a modernidade, o que o grupo apresenta é uma estudada resolução de problemas. Por exemplo: como sintetizar e organizar uma abordagem free e como abrir e converter melodias estáticas. Os temas variam entre composições do baterista e revisitações de clássicos do jazz, uns mais e outros menos ortodoxos.

Foto © Vera Marmelo


Pedro Sousa / Miguel Mira / Afonso Simões

Quinta, 2 Junho, 22:00

Sótão
Pedro Sousa – saxofones
Miguel Mira – violoncelo
Afonso Simões – bateria


O trio de Sousa, Mira e Simões tem uma particularidade: se habitualmente toca fora da caixa, em determinadas ocasiões salta para dentro de uma a fim de a virar do avesso ou constrói uma embalagem de raiz. Foi, aliás, o que o grupo fez num concerto em que lhe foi pedido que tocasse uma balada. O que saiu não parecia ter qualquer semelhança com esse tipo de estrutura, até surgir uma bela figura melódica em tudo devedora ao formato canção. Qualquer coisa pode acontecer num concerto desta formação, desde um ataque virulento que nos atinge o estômago, na linha do expressionismo abstrato que caracteriza o free jazz e muita da música livremente improvisada, até algo de profundamente lírico e poético com conotações jazzísticas mais convencionais ou indo ao encontro de outras músicas. Algo que até nem deveria surpreender, dado o percurso que Sousa fez pela eletrónica experimental, o gosto de Mira pela rítmica do bop e o percurso de Simões no rock. O certo é que está aqui uma das células criativas mais desafiantes dos dias de hoje no contexto português.

Foto © Vera Marmelo


Hugo Carvalhais Nebulosa Trio

Quinta, 2 Junho, 20:45

Salão
Hugo Carvalhais – contrabaixo
Émile Parisien – saxofone soprano
Mário Costa – bateria


Com um trajeto público curto, mas que tem sido marcado por projetos de grande fôlego que a todos surpreenderam – o mais recente foi “Grand Valis”, o primeiro disco português a ser distinguido com o selo “Choc” pela revista Jazz Magazine –, Hugo Carvalhais é um dos principais agentes da renovação do jazz em Portugal. Autodidata de formação, com passagens por “workshops” de Ron Carter, Eddie Gomez, Mario Pavone e Miroslav Vitous, e um exímio contrabaixista de som cheio, é no entanto pela sua escrita que tem imposto uma visão em que encontramos a elegância formal do jazz europeu, a exuberância do rock progressivo, a complexidade da música contemporânea e a visceralidade do free. Dele nunca se sabe o que esperar, havendo porém a certeza de que o que vem a seguir terá argumentos sólidos. Neste trio, Carvalhais conta com dois cúmplices de quase sempre, o saxofonista francês Émile Parisien e o baterista Mário Costa, que com ele estiveram no álbum “Partícula”.


Filipe Felizardo

Quinta, 2 Junho, 20:00 

Sótão
Filipe Felizardo – guitarra

Com clara preferência pelas situações a solo, mas pertencendo também ao David Maranha Ensemble e tendo tocado em duo com Norberto Lobo e Margarida Garcia, Filipe Felizardo tem norteado a sua atividade musical na exploração dos limites lexicais e técnicos da guitarra elétrica, em criações que articulam
o escrito e o improvisado de formas pouco óbvias. O seu ponto de partida está nos blues e a sonoridade que muitas vezes convoca é a do rock, aliando “fingerpicking” e controlo de distorções e “feedbacks” como se entre John Fahey e Keiji Haino não houvesse todo um mundo a separá-los. Modal e pentatónica, a sua música deixa-se perder nas nuvens de harmónicos que vai produzindo, mas pode também ser cativantemente melódica e deslumbrar-se com o silêncio. Contemplativa é o que é sempre, denotando a influência da sua atividade paralela como artista visual.


Foto @ Sara Rafael

DESVIO - programa

2 de Junho, Quinta-feira
20:00 – Filipe Felizardo solo – Sótão
20:45 – Hugo Carvalhais Nebulosa Trio – Salão
22:00 – Pedro Sousa / Miguel Mira / Afonso Simões – Sótão
23:00 – Gabriel Ferrandini Trio – Sótão
24:00 – Jam – Bar

3 de Junho, Sexta-feira
20:00 – Pedro Lopes Solo – Sótão
20:45 – Bruno Parrinha / Luis Lopes / Ricardo Jacinto – Sótão
22:00 – João Hasselberg – Salão
23:00 – Rodrigo Amado Motion Trio – Sótão
24:00 – Jam – Bar

4 de Junho, Sábado
17:00 – Luís Vicente / Jari Marjamäki – Sótão
18:00 – Lama – Salão
19:00 – RED Trio – Salão
22:00 – Sei Miguel solo – Sótão
23:00 – Ricardo Toscano Quarteto – Salão
24:00 – Jam – Bar