quarta-feira, 1 de junho de 2016

DESVIO - MOSTRA DE JAZZES NA PARDE (2, 3 e 4 de junho)







































Quotas de entrada:
Passe 3 dias: 40€/ 30€ Sócios
Passe diário: 15€/ 12€ Sócios
Concertos isolados (salão): 5€/ 4€ Sócios



Ricardo Toscano Quarteto

Sábado, 4 Junho, 23:00

Salão
Ricardo Toscano – saxofone alto
João Pedro Coelho – piano
Romeu Tristão – contrabaixo
João Pereira – bateria


Muito jovem ainda, o saxofonista Ricardo Toscano é já uma certeza do jazz português. Se já foi apontado como um prodígio, hoje dele emana uma maturidade que continua a ser surpreendente. O jazz que pratica é o da tradição bop e hard bop, sem quaisquer preocupações de inovação, mas são tais a frescura, a energia, a entrega e a personalidade própria dados aos temas, “standards” incluídos, que conquistou a unanimidade do aplauso. Já não é só de bom jazz que se trata, mas de brilhantismo. O repertório do Ricardo Toscano Quarteto é sobretudo feito de composições históricas assinadas por nomes como John Coltrane, Wayne Shorter, Herbie Hancock e Ornette Coleman e adaptadas pelo líder para este combo formado com João Pedro Coelho, Romeu Tristão e João Pereira. Na moldura destas, o alto de Toscano voa com a desenvoltura e a agilidade de uma águia.



Sei Miguel

Sábado, 4 Junho, 22:00 

Sótão
Sei Miguel – trompete


Designado com frequência como um músico experimental, pelo facto de os seus temas soarem estranhos a ouvidos incautos, Sei Miguel diz ser, isso sim, “um trompetista herdeiro do bop via cool”. O curioso é que, não obstante este posicionamento, há no seu jogo solístico reminiscências de Don Cherry no fraseio e de Bill Dixon na sonoridade, ambos figuras históricas do free jazz. Mas esse é só um dos aspetos que explicam a sua singularidade. Outro é o facto de o jazz que pratica lidar com noções de espaço e de tempo que vai buscar a compositores contemporâneos como John Cage e Alvin Lucier. Outro ainda está na particularidade de alistar para os seus grupos instrumentistas que vêm de outras áreas que não o jazz e a clássica, como o rock, a eletrónica e a dita “música não-idiomática”. O que leva para o palco e coloca em disco são conceitos meticulosamente elaborados, mas para ele o que vale é a sua tradução musical prática, e esta é encenada como se o jazz fosse teatro. Como já disse a crítica, está aqui “o segredo mais bem guardado de Portugal”.

Foto © Nuno Martins

RED trio

Sábado, 4 Junho, 19:00 

Salão
Rodrigo Pinheiro – piano
Hernâni Faustino – contrabaixo
Gabriel Ferrandini – bateria


O Red Trio coloca no mesmo plano de importância todos os instrumentos que o constituem. É das interseções e perturbações conseguidas que surge o discurso único do grupo: uma gama dinâmica que parte do quase silêncio até imensas descargas de energia. Foi precisamente este discurso único que contribuiu para a sua ascensão nos circuitos internacionais, ora no formato original de trio, ora com convidados como John Butcher e Nate Wooley.
Totalmente improvisada, a música do Red Trio tem referências no jazz e na música erudita contemporânea, numa combinatória de parâmetros que é impossível de discernir. Com formação clássica em piano, Pinheiro sente-se tão influenciado por Thelonious Monk e Cecil Taylor como por Ligeti e Messian. Faustino é uma rocha, tocando com a mesma fisicalidade de quando era baixista de rock. Ferrandini, pelo seu lado, é um músico nervoso e irrequieto, tão capaz do pormenor mais pequeno como do gesto grandioso, contrariando a ideia de que um baterista tem de tocar ritmos lineares.

Foto © Nuno Martins




Lama

Sábado, 4 Junho, 18:00 

Salão
Gonçalo Almeida – contrabaixo e eletrónica
Susana Santos Silva – trompete e flugel
Greg Smith – bateria


É um caso especial de sucesso do jazz português além-fronteiras, três vezes reiterado em disco e muitas mais em concertos pela Europa. O trio de Gonçalo Almeida (o mesmo dos grupos Spinifex, Albatre e Tetterapadequ) com Susana Santos Silva (Orquestra Jazz de Matosinhos, Impermanence, duos com Torbjorn Zetterberg, Kaja Draksler e Jorge Queijo) e Greg Smith (que tem igualmente actividade nos domínios do hip-hop e da world music) deu forma a um jazz que é impossível de arrumar em qualquer das tendências deste género. Situada algures entre o “mainstream” e a vanguarda, a música que apresenta ora toma um pendor eletroacústico, ora adopta uma abordagem de câmara que, curiosamente, o aproxima mais da tradição cool do que da chamada third stream. Em qualquer dos casos com composições elaboradas e sugestivas e com improvisações que não se contentam com seguir as cifras, numa intervenção pensada para o século XXI.



Vicente / Marjamäki

Sábado, 4 Junho, 17:00 

Sótão
Luís Vicente – trompete
Jari Marjamäki – eletrónica


Vicente /Marjamäki é um duo formado por Luís Vicente (Clocks and Clouds, Deux Maisons, What About Sam?) e Jari Marjamaki (Zentex, Golden Globes) cuja atividade tem vindo a desenhar novos caminhos no encontro entre o jazz e a eletrónica, prosseguindo os caminhos abertos por Jon Hassell. A música que propõe é um miasma improvisado no qual as paisagens difusas criadas pelas máquinas de Marjamäki se vão enredando com os sons lânguidos do trompete de Vicente, num acerto entre momentos de abstração tecnológica
e outros que podem lembrar as dissertações pan‑africanistas de um Don Cherry. O projeto é bem distinto da restante atividade dos dois músicos: o trompetista trabalha habitualmente entre os universos do bop e do free e o finlandês é uma das figuras cimeiras da cena lisboeta do techno, do dubstep e da deep-house, tanto utilizando o computador como enquanto DJ. Resulta um mapa de paisagens ondulantes, umas vezes movidas a “groove”, outras introspetivas.

Foto © Nuno Martins


Rodrigo Amado Motion Trio

Sexta, 3 Junho, 23:00 

Sótão
Rodrigo Amado – saxofone tenor
Miguel Mira – violoncelo
Gabriel Ferrandini – bateria


Um dos mais importantes músicos da cena jazz nacional, e também um dos poucos que obtiveram maior reconhecimento internacional, Rodrigo Amado foi recentemente nomeado pela El Intruso International Critics Poll como um dos cinco mais importantes saxofonistas da actualidade, ao lado de Evan Parker, Joe Lovano, Jon Irabagon e Ingrid Laubrock. O Motion Trio é o seu grupo de trabalho, tendo Mira e Ferrandini como interlocutores e sustentáculos do fraseado melódico e intenso que se tornou na sua imagem de marca. A linha prosseguida é a do free bop, assim designado por desenvolver uma perspetiva do free jazz e da improvisação sem temas que tem as suas raízes no hard bop. Depois de parcerias com Peter Evans, Jeb Bishop, Matthew Shipp e Rodrigo Pinheiro (Red Trio), a formação dá mais um passo numa fase caracterizada por uma maior contenção, mercuriana ainda, mas a fogo brando, com lugar para a subtileza, o detalhe e um refinado trabalho de dinâmicas.

Foto © Miguel Almeida