quarta-feira, 1 de junho de 2016

Lama

Sábado, 4 Junho, 18:00 

Salão
Gonçalo Almeida – contrabaixo e eletrónica
Susana Santos Silva – trompete e flugel
Greg Smith – bateria


É um caso especial de sucesso do jazz português além-fronteiras, três vezes reiterado em disco e muitas mais em concertos pela Europa. O trio de Gonçalo Almeida (o mesmo dos grupos Spinifex, Albatre e Tetterapadequ) com Susana Santos Silva (Orquestra Jazz de Matosinhos, Impermanence, duos com Torbjorn Zetterberg, Kaja Draksler e Jorge Queijo) e Greg Smith (que tem igualmente actividade nos domínios do hip-hop e da world music) deu forma a um jazz que é impossível de arrumar em qualquer das tendências deste género. Situada algures entre o “mainstream” e a vanguarda, a música que apresenta ora toma um pendor eletroacústico, ora adopta uma abordagem de câmara que, curiosamente, o aproxima mais da tradição cool do que da chamada third stream. Em qualquer dos casos com composições elaboradas e sugestivas e com improvisações que não se contentam com seguir as cifras, numa intervenção pensada para o século XXI.



Vicente / Marjamäki

Sábado, 4 Junho, 17:00 

Sótão
Luís Vicente – trompete
Jari Marjamäki – eletrónica


Vicente /Marjamäki é um duo formado por Luís Vicente (Clocks and Clouds, Deux Maisons, What About Sam?) e Jari Marjamaki (Zentex, Golden Globes) cuja atividade tem vindo a desenhar novos caminhos no encontro entre o jazz e a eletrónica, prosseguindo os caminhos abertos por Jon Hassell. A música que propõe é um miasma improvisado no qual as paisagens difusas criadas pelas máquinas de Marjamäki se vão enredando com os sons lânguidos do trompete de Vicente, num acerto entre momentos de abstração tecnológica
e outros que podem lembrar as dissertações pan‑africanistas de um Don Cherry. O projeto é bem distinto da restante atividade dos dois músicos: o trompetista trabalha habitualmente entre os universos do bop e do free e o finlandês é uma das figuras cimeiras da cena lisboeta do techno, do dubstep e da deep-house, tanto utilizando o computador como enquanto DJ. Resulta um mapa de paisagens ondulantes, umas vezes movidas a “groove”, outras introspetivas.

Foto © Nuno Martins


Rodrigo Amado Motion Trio

Sexta, 3 Junho, 23:00 

Sótão
Rodrigo Amado – saxofone tenor
Miguel Mira – violoncelo
Gabriel Ferrandini – bateria


Um dos mais importantes músicos da cena jazz nacional, e também um dos poucos que obtiveram maior reconhecimento internacional, Rodrigo Amado foi recentemente nomeado pela El Intruso International Critics Poll como um dos cinco mais importantes saxofonistas da actualidade, ao lado de Evan Parker, Joe Lovano, Jon Irabagon e Ingrid Laubrock. O Motion Trio é o seu grupo de trabalho, tendo Mira e Ferrandini como interlocutores e sustentáculos do fraseado melódico e intenso que se tornou na sua imagem de marca. A linha prosseguida é a do free bop, assim designado por desenvolver uma perspetiva do free jazz e da improvisação sem temas que tem as suas raízes no hard bop. Depois de parcerias com Peter Evans, Jeb Bishop, Matthew Shipp e Rodrigo Pinheiro (Red Trio), a formação dá mais um passo numa fase caracterizada por uma maior contenção, mercuriana ainda, mas a fogo brando, com lugar para a subtileza, o detalhe e um refinado trabalho de dinâmicas.

Foto © Miguel Almeida


João Hasselberg

“Whatever It Is You’re Seeking, Won’t Come In The Form You’re Expecting”

Sexta, 3 Junho, 22:00

Salão

Luis Figueiredo – piano
Bruno Pedroso – bateria
Diogo Duque – trompete
Joana Espadinha – voz
João Hasselberg – contrabaixo, baixo elétrico

Até há bem pouco tempo, João Hasselberg era conhecido, sobretudo, como um bom contrabaixista. Com o lançamento dos seus dois discos em nome próprio tudo mudou. Descobrimos que, além do instrumentista, existe um compositor com ideias frescas e amadurecidas e um líder de grupo que, não só sabe escolher os músicos que o acompanham, como aproveita da melhor maneira as suas contribuições para enriquecer as partituras. E estes são de peso: Diogo Duque, Luís Figueiredo, Bruno Pedroso e Joana Espadinha dão, à partida, uma garantia de qualidade a tudo o que fazem. A música que Hasselberg propõe é de inspiração literária, mas transforma as narrativas e as descrições textuais num cinema sonoro que desperta a imaginação. Acresce que este é um jazz descomplexado, indo beber à música erudita tanto quanto à pop, atrevendo-se à complexidade sem qualquer presunção e conseguindo ser simples sem entender uma canção como “fast food” para os ouvidos.

Foto © Vera Marmelo

Bruno Parrinha / Luís Lopes / Ricardo Jacinto “Garden”

Sexta, 3 Junho, 20:45

Sótão
Bruno Parrinha – saxofone alto e clarinete
Luís Lopes – guitarra
Ricardo Jacinto – violoncelo e eletrónica

De nascimento recente, mas já com rodagem pelos palcos, um trio que tem como premissa de trabalho a prática de uma improvisação entre o idiomático e o não-idiomático, reconciliando os fraseados-tipo do jazz e o concretismo textural do experimentalismo e de alguma música contemporânea. Sempre em resposta à multiplicidade formativa e de vivências dos três músicos, cujas atividades se têm repartido pelo free jazz, a música livremente improvisada, o rock e até a pop. Se nesse particular Bruno Parrinha (IKB Ensemble, Variable Geometry Orchestra), Luís Lopes (Humanization 4tet, Lisbon-Berlin Trio, Noise Solo) e Ricardo Jacinto (Parque, Pinkdraft, Love That Lava) encontraram afinidades entre si, a estratégia do projeto está na articulação de discursos contrastantes. E no entanto, outro factor que define a música tocada é o seu foco, mediante a exaustiva exploração de um número restrito de materiais sonoros para deles obter o máximo efeito.



Pedro Lopes

Sexta, 3 Junho, 20:00 

Sótão
Pedro Lopes – percussão em gira-discos, címbalos e agulhas modificadas.

Pedro Lopes evoluiu de uma eletrónica improvisada que combinava as tecnologias digital e analógica para uma invulgar abordagem da… percussão. E invulgar porque o seu instrumento é um gira‑discos. As agulhas não servem para disparar música gravada em vinil, mas para amplificar micro-elementos sonoros por meio de baquetas, escovas, têxteis, pequenos metais, címbalos, gongos e taças. Membro do duo Eitr (com Pedro Sousa) e do colectivo Lisbon Freedom Unit que emparceirou já com Carlos “Zíngaro”, Reinhold Friedl e DJ Sniff reivindica um posicionamento “pós‑scratch” para se distanciar do comum DJing, inclusive o experimental, mas também uma atitude “pós-jazz”. Talvez porque, frente à minúcia com que desmembra e congrega sons,
a linguagem musical que adota por princípio, o jazz, não permanece tal como a conhecemos.

Foto © Ricardo Jota


Gabriel Ferrandini / Pedro Sousa / Hernâni Faustino

Quinta, 2 Junho, 23:00

Sótão
Gabriel Ferrandini – bateria
Pedro Sousa – saxofones
Hernâni Faustino – contrabaixo


Convidado a fazer uma residência artística na Galeria ZDB, em Lisboa, onde pudesse desenvolver um projeto que cruzasse as estratégias da improvisação livre com a composição jazz, Gabriel Ferrandini convidou Pedro Sousa, amigo de infância com quem partilhou muitas experiências musicais – tendo a mais recente sido a apropriação de uma partitura de Tony Williams, “Love Song”, para explorar longamente cada um dos seus aspetos –, e Hernâni Faustino, seu parceiro no Red Trio e no Wire Quartet, a com ele darem forma ao trabalho realizado. São aspetos dessa investigação continuada a que vamos assistir, trazendo à improvisação os “circuitos” mais fechados que são próprios do universo da escrita. Tendo como coordenadas a liberdade e a modernidade, o que o grupo apresenta é uma estudada resolução de problemas. Por exemplo: como sintetizar e organizar uma abordagem free e como abrir e converter melodias estáticas. Os temas variam entre composições do baterista e revisitações de clássicos do jazz, uns mais e outros menos ortodoxos.

Foto © Vera Marmelo